Quanto custa ser feliz

Pesquisas recentes mostram que nosso cérebro se engana quando sonha que uma casa na praia, uma carro novo ou uma grande paixão nos deixariam mais satisfeitos. Mesmo sem nada disso, dizem os cientistas, estamos fadados a felicidade.

O que faz você feliz? Se pudesse escolher a melhor coisa para acontecer com você agora, provavelmente diria que era ganhar na loteria, certo? Ai poderia comprar um carro novo, aquela casa dos sonhos, fazer uma viagem luxuosa, parar de trabalhar. E seria muito mais feliz. Pode até ser verdade, mas essa sensação não duraria muito. Após décadas pesquisando o assunto, psicólogos, neurocientistas e economistas chegaram a conclusão de que o dinheiro traz felicidade, sim, mas não tanto quanto imaginamos. E  quem gasta muito acaba prejudicado na hora de aproveitar pequenos  prazeres essenciais a boa vida, como jantar fora na companhia dos amigos ou saborear lentamente uma barra de chocolate.

As mais recentes descobertas no campo da ciência não se voltaram contra o dinheiro. Elas propõem, na verdade, uma relação diferente com saldo bancário e uma nova  maneira de distribuir os gastos do mês. Pesquisadores de Harvard e de Virginia, nos Estados Unidos, divulgaram um estudo com o sugestivo nome: ” Se o dinheiro não te faz feliz, então você não está gastando direito”. Eles questionam o fato de que, se grana traz essa alegria toda, por que é que os milionários não estão mais felizes do que a média da população mundial? A resposta é que a maioria de nós não faz ideia de quais são os gastos que realmente trarão o contentamento  que esperamos.

Gastos exorbitantes não tornam ninguém mais feliz no longo prazo. Ao contrário, dizem os especialistas, pagar por uma refeição especial, cursos de idiomas ou viagens curtas trariam muito mais retorno para a construção da felicidade duradoura pois nos ajudam a estabelecer conexões pessoais. O que nos faz investir grandes economias em algo que supostamente nos deixaria mais contentes.Tem a ver com um engano comum da mente humana.

O nosso cérebro aumentou três vezes em tamanho, devido principalmente a uma área chamada lobo frontal. Trata-se da parte responsável pela capacidade de pensar no futuro e fazer planos. É  por isso que conseguimos imaginar o quanto uma situação será prazerosa ou não antes mesmo de chegarmos a ela. É um simulador de situações que existe na mente. Porém, esse simulador é falho. E muito, frequentemente, superestima o poder dos acontecimentos, tanto bons como ruins: o termino de um namoro, uma promoção no emprego ou a compra de um carro novo.

Já  sabemos que nos acostumamos a tudo e que conseguimos ser felizes  mesmo depois de uma tragédia. Qualquer livro de autoajuda barata diz isso. Mas o que explica o fato de ganhadores da loteria não estarem muito acima em termos de contentamento, do que os que foram obrigados a andar de cadeira de rodas? a adaptação é uma propriedade dos neurônios. As células nervosas respondem vigorosamente a um novo estimulo, mas gradualmente se habituam a ele. O conceito explica o fato de que nossa alegria com novas conquistas, ainda que muito aguardadas, nunca dure tanto quanto prevemos. O truque para postergar essa adaptação seria apostar em experiência em vez de bens materiais.

A nova ciência da felicidade recomenda ainda não apostar todas as fichas em uma só experiência, mas parcelar as alegrias de vida em várias vezes, a fim de prolongar a sensação boa. A felicidade verdadeira, concluem as pesquisas, precisa de manutenção, pois não esta ligada a picos de alegria. Eles irão passar por uma adaptação da mente. “Cada pessoa tem seu ponto de equilíbrio de felicidade, que tem grande influencia genética, mas também contém fatores mutáveis.  A grande e esperada fórmula pra ser feliz se resume a algo bem simples: aproveite um dia após o outro e tirar o melhor dos pequenos prazeres ao nosso alcance. Afinal, a ciência provou que todos nós estamos fadados a felicidade.

Fonte: revistagalileu

 

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