Quando o machismo perde a vez
As mudanças ocorridas na familia fizeram com que a ditadura paterna fosse substituida pela negociação com mães e filhos. É hora da democracia.
Nos ultimos 50 anos, as mudanças que aconteceram nas relações familiares foram tão radicais quanto os avanços tecnológicos que pudemos acompanhar. Predominava o machismo. Os homens mandavam e intimidavam. As mulheres e os filhos os obedeciam e os temiam. Por falta de espaço, algumas agiam nas costas do tirano todo poderoso. Outras tentavam, com jeito, se fazer ouvir em defesa desse ou daquele interesse familiar. Do ponto de vista sexual, tinham de honrar seus “deveres conjugais”. As esposas eram rigorosamente vigiadas.
Em poucas décadas, ocorreu uma verdadeira revolução: as mulheres, mais aplicada em sua preparação profissional, passaram a ocupar espaços que tradicionalmente lhes eram interditados. Não raro, conquistaram posições nas quais recebem salários maiores que o de seua maridos. Assim, conseguem ficar melhor sozinhas e temem cada vez menos o divórcio (que existe a pouca mais de 30 anos no Brasil). Com essa inversão de poderes, elas passaram a poder dizer “não” aos anseios sexuais dos maridos. Não há mais espaço para a ditadura masculina.
Do ponto de vista dos filhos, a mudança foi ainda mais radical. Vivemos uma fase por demais permissiva na qual eles são os “reis”do lar. Muitos pais têm medo de perder o amor dos filhos, situação oposta ao temor e a reverência que revigora até outro dia. Quem aida hoje chama o pai de senhor?
Não simpatizo com inversão de valores. A mim parece indiferente se o tirano é o homem, a mulher ou as crianças. Seria uma pena que toda essa revolução tivesse um fim banal. Felizmente, não estamos indo por ai. As moças, independentes, buscam um envolvimento afetivo com o intuito de contituir familia. E querem um parceiro que seja objeto de sua admiração (que é, segundo platão, de onde deriva o amor). Não costumam se interessar por homens submissos e dependentes.
Corremos o risco de voltar ao padrão machista de antes? Não creio. Acho que estamos diante de uma nova era, fascinente, na qual o homem será o “lider eleito” por sua mulher . Ele não obterá o cargo porque é macho - e sim porque ela o considera com qualidades para a função. Como qualquer lider eleito, deverá, antes de tomar decisões, consultar tanto a esposa como os filhos, à medida que crescem e ganham voz.
Com muito dialogo, a familia terá de resolver as divergências para ver se chegam a soluções consensuais, Democracia é assim: Também na familia, parece-me ser o melhor sistema para que um grupo caminhe junto e em concórdia.

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