Amor…Pode Demolir Que Eu Espero

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Um sistema drástico, convenhamos, mas que também acontece, é o que podemos chamar de efeito dilapidação. Começa, como todos os outros, com uma bela paixão; e de repente, quando ainda estamos apaixonados, aparece o primeiro coice, ou a primeira falha essencial de caráter no ser amado. Surpresa, desapontamento.

Ao segundo, ou ao terceiro,começamos a nos dar conta de que aquela alma gêmea não é gêmea coisa nenhuma, e que convém nos livrarmos dela. Mas como, se, apesar da lucidez com que lhe vemos os defeitos, ainda o amamos tanto? Deixando ele agir.

Sim, meu lindo, você berra comigo hoje e me sacode pelos ombros sem que eu tenha feito nada para merecê-lo, eu não reajo, não te largo na hora, porque não consigo, porque mergulhei fundo demais e vou demorar a voltar a tona. Mas deixa estar. Você vai me sacudir de novo amanhã, tenho certeza. E a cada sacudida é um pedaço do meu envolvimento que você tira de cima  de mim. Eu quase te pediria para ser mais grosseiro ainda, para andar mais rápido com esse trabalho de demolição, se não me doesse tanto.

Mas não se preocupe, pode prosseguir com seu ritmo, eu espero. Pedaço por pedaço, breve não sobrará nada, e então quando você você botar a mão no meu ombro para sacudir, eu pularei na sua frente como um Bruce Lee enfurecido, e te darei um único golpe: a despedida.

É uma traição? A gente deveria falar antes, avisar, dizer, olha eu gosto de ser sacudida? No inicio a gente ainda tenta. Mas há estruturas que não se mudam. E quando a gente percebe isso, começa a organizar a defesa em que, geralmente, não há lugar para jogo aberto.

fonte: Por falar em amor.

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