A TEORIA, NA PRATICA, DÓI

Sabemos que o desejo, numa relação a longo prazo, sofre períodos de esvaziamento impossiveis de evitar. E que a pressão erótica exercida por nossa sociedade é esmagadora. E que nem sempre, num casal, os niveis de exigências eróticas são iguais. E que o amor não pode ser uma prisão para as emoções e para os desejos.

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A vida é um regime de trocas, e nessas trocas abrimos mão de certas coisas em favor de outras. E nem todos os nossos desejos são para serem satisfeitos, porque é da natureza do ser humano constantemente desejar. Teria havido um momento em que o desejo sexual se desvinculou do todo formado pelos outros desejos, exigindo sua satisfação como uma necessidade à parte, que nem se alimenta nem se funde na satisfação do todo. E me pergunto se não conseguiremos jamais recuperar essa harmonia totalizadora.

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Sim, somos muito compreensivos com a infidelidade de terceiros. Aprendemos que o desejo pode estar desvinculado do amor. E que, para o bem da saúde psiquica, não deve ser reprimido “Nimguém pensaria em condenar outra pessoa por não querer usar o mesmo vestuário durante anos, ou por não querer comer todos os dias o mesmo prato. Apenas no dominio sexual a exclusividade da possessão atingiu uma grande significação afetiva, e isto em virtude da interpenetração das relações sexuais e de interesses econômicos que ao ciume natural deu as dimensões de um direito de propriedade”.

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Há quem viva bem, sobretudo durante um certo tempo, em relações abertas. Quando o amor é intenso, e apesar de toda a racionalização, enfrentamos a infidelidade muito mal. Ela é uma para o traidor, mas é outra para o traido. Aquele que trai conhece bem a força de seus impulsos, conhece as motivações, tem na mão todas as justificativas. Aquele que é traido desconhece isso tudo, e mesmo que o saiba factualmente – que alguém, até mesmo o traidor, lhe conte -,não tem acesso ao impeto que levou o seu amado em direção a outra pessoa. O traido sofre porque, mesmo em plena realidade, está armado apenas de suposições.

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 Antes as mulheres achavam que tinham que suportar a infidelidade dos maridos, porque essa era a própria condição do casamento. E achava que assim era porque os homens tinham um sensualidade transbordante, que não cabia a elas satisfazer. Hoje as mulheres sabem que a sensualidade dos homens não é mais transbordante do que a sua, e que a única razão para a sobrevivência de um casamento ou de uma relação é o amor. E se questionam muito sobre a validade do sexo desvinculado do sentimento, porque elas também já o experimetaram.

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